imutável





Tardo e sempre falho naquilo que me convém
Se o amarelo não me agrada transformo-o
em alaranjado.
Aplico lhe o vermelho e faço dele 
um sol que arde
um sol que favorece 
um sol mais quente 
[A pele morena já não aguenta mais a dor.]
Dói a marca da existência raquítica, na visão egoísta
de um luar vermelho, vermelho de amar. 
E onde menos dói, dói.
Dói na carne que sangra. 
Dói nos negros olhos lacrimejados 
pela dor de um passado marcado
- dói na alma.
E onde menos dói, dói. 
Tardo e falho naquilo que me convém 
Só não os faço nas cores da minha existência. 
[Doa a quem doer.]


Paulo Francisco



Calice by Chico Buarque on Grooveshark

sem






Amei por muito tempo o que já não tinha
Amei em pensamentos brandos
Amei em lembranças furtivas
Amei...
Simplesmente amei o que já não existia
Odiei e perdoei na mesma intensidade.
Amei tanto que chorava rios
Amei tanto que sorria junto
Amei por muito tempo o que já não tinha
E há muito deixei de ter a que já não era minha
Há muito que esqueci a que não existia, deu branco.


Paulo Francisco

Cansei de Esperar Você by Roberta Sá on Grooveshark

singularidade







Os poetas não gritam
Eles falam baixinho ao pé do ouvido
Os poetas amam. Simplesmente amam
 e morrem de amor a cada amor vivido
Os poetas são silenciosos - andam mansos
em calçadas serenadas e cobertas pela lua.
Eles fazem versos confessos para Rosas e Margaridas
Todos têm um jardim de cores e flores
têm os melhores sabores
têm o os melhores deleites
Os poetas são assim:
amorosos quando amam
cruéis quando esquecidos
Os poetas são humanos que voam
que guardam lembranças
Os poetas são seres que sangram
que sagram vermelho.
Se acadêmicos – geniais/se não, marginais.
Os poetas são assim: iguais a todo mundo.


Paulo Francisco




Como Dizia o Poeta by Vinicius de Morais on Grooveshark

vazio




Era uma angústia doída
que corroía devagarzinho
que mexia dentro e fora
que fazia melodias tristes
Era uma angústia de morte
de morte negra e vazia.
Quando olhei o meu reflexo
no vidro preto da porta
descobri-me sozinho
naquela angústia surgida.
- Era apenas uma saudade
súbita de algo perdido.

Paulo Francisco

Pedaço De Mim by Chico Buarque on Grooveshark

desencontro




Nesta escuridão cega de mim, perco-me
entre
as sete cores do dia
entre
as sete cores da noite
entre
as sete cores da existência
entre
as sete pontas da lança

Nesta escuridão cega de mim...
Perco-me em pensamentos insanos
e sete vezes eu digo: afasta-te de mim




Paulo Francisco


  Me Deixa Em Paz by Leo Gandelman/Luiz Melodia on Grooveshark

egocentrismo






O Poeta sofre - sofre de amor
Ele está só
sozinho num ninho seco sem cor.
O Poeta chora – chora em prantos 
Ele está só 
sozinho num riozinho vazio de cor 
O Poeta morre – morre de amor
Ele está só
sozinho num veloriozinho sem cor.
O Poeta sofre, chora, morre
sozinho
de um amor todinho seu.

Paulo Francisco


Só Louco by Nana Caymmi on Grooveshark

liberdade



Não aprendi a odiar aquele ódio de matar
O meu ódio é brando – incompetente.
É o mais vagabundo de meus sentimentos
Fico vermelho de raiva, roxo de ódio
mas no primeiro vento eles são desconstruídos.
Ah..., mas eu aprendi a ignorar.
[ Talvez seja o pior de meus sentimentos.]
É muito melhor ignorar que odiar
pois quem fica roxo de raiva é o outro
ele que carregue a mortalha de tal sentimento
- Eu prefiro o silêncio branco.

Paulo Francisco
liberdade pra dentro da cabeça by Natiruts on Grooveshark

revelação




Quando a minha primeira carta de amor,
aos sete anos de vida, chegou as mãos de minha mãe,
quase apanhei por amar.
Fiquei pálido de vergonha - quase sem cor.
Não pelo que estava escrito para a mais bela da escola
mas por ela ter descoberto o meu outro amor.

 Paulo Francisco
Estória De Amor by Ivan Lins on Grooveshark

libido





A pele lambida pelo vento
os olhos clareados pelo sol
os cabelos lavados e tingidos
pela morna água glauca.
Era o que eu via sentado na creme areia
da praia  que visitava nos finais de semana
Via a morena banhar-se de meus desejos
Queria ser a água
queria
Queria ser o sol
queria
Queria ser o sal grudado
queria
ou a água que escorria
queria...
[quereres secretos de um menino tarado.]



Paulo Francisco


Saudade by Otto on Grooveshark


refugio





Agora ando por aqui
atrás da casa
estendendo sonhos
estendendo cores
enxugando prantos
plantando risos

Agora ando por aqui
no
fundo do quintal
um
pouco mais preguiçoso
um
pouco mais guardado
um
pouco mais escondido.

Agora ando por aqui
neste quintal refletido
de
todos os sóis
de
todas as luas
Ando por aqui...
Quarando paixões
e
estendendo cores
no
varal da vida.



Paulo Francisco


Ensaboa by Marisa Monte on Grooveshark

mudança de estação





tudo
claro
-tão
raro
neste
outono
árido
de
cor.

Paulo Francisco



Djavan - Outono by Djavan on Grooveshark

condicional





E o que seria dele, se não transmutasse,
se não transformasse em cores suas?
E o que seria de mim, se não pudesse
vê-la coberta pela transparência
de um verde – mar - azul?
Afogar-me-ia
em
palavras cruas?!

Paulo Francisco




Tanto Mar [Instrumental] by Chico Buarque on Grooveshark

por ti





Quando escrevo penso em você. Por isso me repito.  Por isso ando escrevendo sobre cores e flores. Gosto quando você vem de mansinho em meu quintal e rouba uma cor.
Eu gosto desse seu jeito de me vigiar, desse seu jeito de quem não quer nada e de me ignorar como se eu não existisse. Sei que não, pois deixa teu cheiro pelo caminho, teu cheiro de flor. Cheiro que veste a minha alma com cheiro de jardim.
Ah, minha amada oculta que tem cheiro de flor, que tem gosto de sonho doce, que me deixa vermelho só em pensar em tê-la! Ah, como seria bom sabê-la, como seria bom vê-la além de meus versos de amor.
Quando escrevo imagino-te ao vento como uma folha rubra numa viagem entre nuvens, imagino-te nua em banhos de lua azul. Imagino nós em cores acetinadas escolhidas por ti. Sim, serei coberto por cores tuas.
Quando escrevo perco-me em sonhos. Eles se tornam infinitos como o céu da tua boca.
Quando escrevo penso em você. Por isso me banho com ervas de cheiro e tinjo meu corpo com as cores fortes de uma tribo guerreira.
Sou um guerreiro amoroso? Talvez seja. Talvez seja um louco amoroso, um louco por ti.
E se tu fosses uma flor, qual seria?
E se tu fosses uma cor, qual seria?
Quando escrevo penso em você. Por isso me repito em cores e flores.
Vago em recônditos caminhos sem medo de nunca encontrá-la.



Paulo Francisco




Flores Astrais by Secos & Molhados on Grooveshark

precisão





E nesta tua respiração
tão profunda
tão tua
como as ondas
do mar azul
- Eu respiro junto
numa cadência amorosa.

Paulo Francisco






So Nice by Olivia Ong on Grooveshark

respiração




Às vezes eu simplesmente escrevo
- tinjo de azul o papel branco à minha frente.
Às vezes, deixo transbordar o que antes
estava represado na alma.
Às vezes visceral 
Às vezes metafórico
Às vezes abstrato
Às vezes natural.

Às vezes como agora: perdido, tingindo de azul esta folha morta.

Paulo Francisco





Inútil paisagem by Nana Caymmi e Dorival Caymmi on Grooveshark

entre mim e você



(Para Manoel Francisco e Valéria Soares)





Enquanto tu dormes, eu permaneço a sonhar. Sim, sonho de olhos abertos em virtualidades construídas. Sou um sonhador nato. Um bobo. Um aluado largado no espaço. Mas se não sonhasse, tornar-me-ia pedra – um ser gelado sem cor.

Ainda insisto em correr mesmo não tendo mais os joelhos fortes. Sou um teimoso crônico. Quero sempre a fruta mais alta da árvore mais alta e mais distante de meus olhos.

Sou um tolo por dar bom-dia a quem não conheço?

Ah, não me mande dormir quando ainda estou sonhando. Deixe-me aqui neste cantinho meu, a olhar para o céu à procura de algo inexistente. Eu sei que não há nada além do que sinto. Mas o que sinto é tudo, é tudo que preciso para continuar vivo.

Não estou vivo, porque meu coração bate e porque ainda respiro. Estou vivo, porque ainda posso sonhar. E faço de meus sonhos o alimento necessário para que a minha alma tenha força para carregar o meu velho corpo.

Busco no abraço o calor da tua existência. Abraço também a tua alma.
Sou e não nego. Sou um ermitão por conveniência e não por penitência. Gosto de estar em minha caverna de concreto e, nela, sonhar com grandes navegações, nas quais sou o mais ousado dos navegadores – um argonauta estrelar.

Sou aquele louco que pensa estar sozinho, mas, quando muito, permanece escondido por um tempo definido. Porque não sou louco o bastante pra entrar no ostracismo, do contrário, o que estaria eu fazendo agora?

Enquanto tu dormes em seu lençol branco, eu permaneço sonhando colorido.

Gosto das cores transformadas - das terciárias e quartenárias; Pinto o meu corpo com as cores do dia. Faço delas as seis cores terciárias. Pinto o meu dia com o alaranjado solar, com a oliva encontrada no ipê amarelo da calçada por onde passo; o celeste de meu céu perfeito, a turquesa dos olhos teus, a violeta da flor que enfeita e demarca o meu caminho e o rosa em toda alma feminina – inclusive a tua e a minha.

Gosto da sensação que as cores me transmitem.

Gosto do metileno visto de minha janela em noites estreladas.

Gosto da cor da pele de Valéria – ela é negra.

Gosto da cor da pele de Sophia – ela é branca.

Gosto do trigueiro – resultado da mistura e do não preconceito.

Enquanto tu dormes este sono tranquilo, eu fico aqui divagando em meu quarto escuro.


Paulo Francisco




Summer Of '42 by The City of Prague Philharmonc on Grooveshark

ao pé do ouvido





Não me interessa a terceira ou a quarta dimensão.  Não quero estar dentro de histórias que não me pertencem.  Sim, me deixe fora de seus problemas, não faço parte deles. Sou um mero expectador distante de suas aflições e decisões.  Não faça de minha bondade o seu expurgo diário, pois já tenho as minhas próprias ansiedades pra serem vomitadas; as minhas próprias decisões a serem encaradas.

Quanto menor a aranha, maior é o seu veneno.

Não quero e não vou mais aceitar que me escolha pra ser o seu grilo falante – cansei.

Estou farto de sua dualidade proposital.

Os esquizofrênicos sabem o que fazem.

Hoje, em minha janela, a tela é cinza, pois chove uma chuva aflita e densa. Dane-se o cinza! Dane-se a chuva!  Dane-se tudo aquilo que venha tentar me impedir de caminhar, prosseguir no meu caminho sonhado. Já tenho a minha própria sombra que me acompanha, não preciso de outra pra ser carregada em meus ombros não tão largos assim. Aguento-me, suporto-me, mas só a mim.

Não, não sou egoísta, sou humano. Tenho as minhas incertezas. Também sei ser fraco. Mas nem por isso te faço trampolim de meus medos e anseios. Tento nadar com as minhas próprias braçadas – sei até onde posso ir.

Os lepidópteros sabem o vento que enfrentam.

Não corras sem antes saber se terás fôlego para chegar até o final. Não corras achando que estarei no meio do caminho para oxigenar o seu peito. Não estarei. Estarei longe numa direção contrária. Por quê? Simples. Preciso seguir minha vida sem interrupções desnecessárias; sem o egoísmo alheio, sem as suas atitudes insanas. A minha loucura já me basta.

Não me olhe como se fosse o fim do mundo. Não é. É o começo de um novo mundo, pra mim e talvez para ti. A decisão é sua, os pulsos sãos seus, a carne é tua. Sei o que vejo; sei o que quero; sei o que tenho.

Encho o meu copo conforme a minha sede.

Quando caio, levanto-me, enxugo o sal de minha face e continuo. Protejo-me das sombras mergulhando de peito aberto na ardência do sol. Sim, banho-me de sol de manhãs iniciadas. Cubro-me das sombras de tardes definhadas.

Quando me calo, sou covarde, quando falo, sou perverso. Talvez eu seja tão covarde e tão perverso quanto necessário a tua sobrevivência. Mas, acredite, sempre fui verdadeiro e inteiro - diferente de ti que te escondes numa superfície prateada.

Enganaste por muito tempo com teu jeito manso, com imagem mentirosa e atitudes falsas. Agora, a máscara caiu revelando-me o meu verdadeiro eu.

Hoje, declaro-me livre de ti. Estilhaço-me do outro lado do espelho. Permanecendo-me, aqui, em minha verdadeira história; em minha única dimensão. Pois tu não eras eu. Eras simplesmente o reflexo de um ser maldito encarnado em mim.

Paulo Francisco

raiar





E a manhã nasceu branca com pequenas frestas por onde posso avistar o fundo azul do céu. Brotam do chão úmido, concretos coloridos que inundam meus olhos secos de paixão.

Ó manhã de sol nascido brando, que clareia e aquece minha pele morena e minha alma também morena, que ilumina os cabelos vermelhos de minha vizinha franzina e que chega macio em meu pequeno cubículo de escrever e inspira-me em desejos solares.


Ó luz, que pra muitos é divina, rasgue este branco denso e traga para mim o melhor azul. Seque as paredes serenadas das casas do vale e transforme os seus líquidos em vapor de esperança e alimentos para os nossos corpos que rangem suas almas secas e quebradiças.


E os pequenos metalizados, tão modernos, avistado daqui de cima, começam, numa fila indiana, seguir o percurso da monotonia – eu observo as suas cores refletidas pelo sol.  Ó sol, que pra muitos é de Deus, ilumine as estradas desses monótonos homens e mulheres que seguem os mesmos percursos melancólicos e finitos de todos os dias.


Ó sol, que pra muitos és somente uma estrela de magnitude cinco, derrame sua luz sobre as cabeças desses homens obscuros e frios. Alumia o caminho da moça perdida que anda a sofrer por nunca ter tido um amor tão grandioso quanto o seu desejo.  Ilumine Rei, os passos daquele que não sabe pra onde ir, e também daqueles que possuem seus membros trôpegos pela incerteza da vida.


Ó sol, que para mim é poesia, luz e vida,


Iluminai-o vós,


Iluminemo-lo nós,


Ilumine e dê a cada um a luz merecida.


E a manhã tornou-se azul e o sol dourou-me a pele.


Benditas sejam minhas manhãs de outono.


Bendita seja essa claridade divina.



Paulo Francisco





Luz do Sol by Caetano Veloso on Grooveshark

novo




Acordei na esperança de um dia limpo; de um dia claro e azul.
Acordei na esperança da paisagem mudar do leitoso para o transparente.
Acordei achando que tudo era sonho de um outono sem cor:
As montanhas parcialmente cobertas, molhadas por completo,
o céu completamente branco, pesado, carregado de chuva,
e aqui dentro, dentro de mim, a incerteza da cor.
Acordei na esperança de uma vida clara e azul.
Acordei na esperança da leveza da alma.
Acordei na esperança que não era sonho.
Acordei com a esperança em minha cabeceira.
Acordei com um anjo dizendo o meu nome.
Acordei contente.
Acordei simplesmente.


Paulo Francisco




Canção Da Manhã Feliz by Nana Caymmi on Grooveshark

pausa





E nesta ausência doída
de vazios eternos
de dores intensas
de dias cinzas
de noites negras
Afasto-me do tempo
Afasto-me de tudo
e refugio-me num sono profundo
e sem fim.

Nesses momentos de poucos amigos
de cores mortas
de pouca prosa
de intimidade interna
eu durmo na esperança de acordar
e descobrir que tudo não passara
de um mal sono – um simples pesadelo.

E nas minhas ausências vividas
- sofro intensamente
pra ressuscitar-me inteiro.


Paulo Francisco


A Lira - Solidao No Oceano by Madredeus on Grooveshark

dia branco




Acordei sem a paisagem existente
- lá fora chove!
Chove às seis horas da manhã
choveu toda a noite!
- disse-me uma passarinha
Ainda chove uma chuva nervosa
barulhenta
assanhada... 
Acordei com outras cores lá fora.
Um branco leitoso cobrindo tudo:
montanhas
árvores 
céu
Restando-me apenas as vermelhas telhas
da casa em construção.
Lá fora chove uma chuva assanhada
nervosa
barulhenta
e aqui dentro um silêncio preguiçoso
Reflexo de um dia molhado
de um dia de domingo chuvoso 
Lá fora prata e aqui dentro cinzas.


Paulo Francisco
Primavera [Vai Chuva] by Nana Caymmi on Grooveshark

frente fria



Acordei às seis horas da tarde
tudo negro lá fora
não há lua
não há estrelas
não há céu
Noite que promete frio
pardo domingo de outono
opaca noite de abril
sem estrelas
sem lua
só chuva em meu quintal.


Paulo Francisco
Chuva de Prata by Gal Costa & Caetano Veloso on Grooveshark

as cores de Irene




Irene segue. Segue a vida. Segue as cores.
Irene segue cega.  Segue sedenta.
Ela quer amar. Ela quer viver.
Irene é Mulher: solta, louca varrida - Não tem medo de amar.
Ela gosta das misturas das cores:
do azul do dia entrando na noite,
do verde mar trazendo a espuma branca pra areia.
Irene segue sem segredos, segue as cores do mundo sem medo.
Ama e declama em versos íntimos os seus amores vividos.
Irene é mar agitado, é vulcão acordado.
É mulher que chora, é mulher que não tem hora,
é mulher que quer viver plena.
Irene segue o seu caminho de rosas e espinhos,
de amores perdidos, de amores encontrados,
de soluços abafados, de risos indiscretos
e de amores perpétuos
Irene é a vida pela vida, é o amor pelo amor.
É ela por ela, sem metáforas, sem rodeios.
Irene,
é mulher que sabe o que quer.
- E as Irenes da vida dão medo!

Paulo Francisco






Casa Pré Fabricada by Roberta Sá on Grooveshark

calção de banho





Quero a palha da palmeira pra fazer de esteira
na sombra do cajueiro e ali me despojar
Quero as unhas vermelhas da morena
entre os meus cabelos negros quase prateados como o luar.
Ah, eu quero; eu quero sim, esta preguiça minha,
esta malemolência branca depois do meio dia;
depois dos cinquenta, depois  de amar a minha morena.
E quando o senhor sol abrir a porta para a senhora lua,
quero continuar ali, junto dela, num banho de estrelas
até o dia voltar.


Paulo Francisco





Eu Quero Estar Com Você by Nana Caymmi on Grooveshark

poetando







Ando num triangulo poético

Drummond        Quintana

Vinicius

Cada ponta um expoente
Cada ponta uma emoção
de descobertas coloridas

Drummond        Quintana

Vinicius

Triangulo poético  de paisagens diversas

de verdes matas mineiras           de  céus sulistas irisados
e

de cores  cariocas noturnas.

Ando assim:

Volúvel!              Volúvel!

Volúvel!



Paulo Francisco





As Cores de Abril by Vinicius de Morais on Grooveshark

da Florentino de Paula




Eu também escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta não é da cor de suas venezianas
- elas são da cor do pêssego, e a tinta que
tinge este poema não é verde - é da cor da noite:
Preta!
Não sei que paisagem há lá fora
Não sei se há um paisagista doidivanas
Mas certamente há outros pintores
mesclando a noite com outras cores.
Ah Poeta, também vago solúvel no ar,
também fico sonhando...irisando...
Já nem penso – simplesmente escrevo tingido.
Estremeço-me e me transmuto em tua paisagem.
Ah e quem me dera, Poeta, ter morado na rua dos cataventos.

Paulo Francisco
Este Amor by Caetano Veloso on Grooveshark

tigresa





E a fêmea guardada
em trajes pudicos
escapa!
Desnuda sua dona recatada.
Agora quem manda é a felina
de lábios negros
de unhas vermelhas
de salto alto
de cabelo solto
de rebolado agitado
de olhos que brilham.
A fêmea espanta a quem pensava
que era dono e mais nada. 
- Perdeu otário! 


Paulo Francisco




Tigresa by Ney Matogrosso on Grooveshark

meia verdade




A moça bonita conquistou o rapaz
que achou que teria uma noite de sonho
Mas na hora agá revelou-se pesadelo.
Ela queria brincar de astronauta
com o seu foguete de brinquedo
E o que era rosa ficou vermelho,
e o que era alegre ficou triste,
e o que era forte ficou fraco
- cheio de medo.

Paulo Francisco


Vê se gostas by Waldir Azevedo on Grooveshark

meia-vida





Na trama, pra ela, tanto faz
                se rosa ou azul
Trabalha atrás do balcão
               nas madrugadas fétidas
Cicatrizes na alma
               - vadia.


Paulo Francisco




Queira-me Bem by Waldir Azevedo on Grooveshark

meia-luz





A luz artificial pinta as ondas de rosa
O mar não está azul nem tão pouco verde aos seus olhos - negro?
A luz invade e pinta as curvas de seu corpo
em cores vivas no sombrio quarto alugado.
[E o meu impede o seu na cor.]
É ilusão
É espectro
É visão
É dor.
A luz artificial pinta a noite em sonhos
em sonhos de amor comprado (vendido?).
amor-carícia
amor- comprado
amor- cuspido
amor-bandido
amor-porrado
Jorrado na cara de quem o vendia.
A luz se apaga com o aparecer do dia
e os pardos se disfarçam em cores vivas.
E os marginais em poesias.

Paulo Francisco







Sofres Porque Queres (Waldir Azevedo) by Pixinguinha y otros on Grooveshark

senhora





Procura-se a dona da flor amarela
que a deixou caída ao chão.

Provável que seja morena
de olhos negros,
cabelos negros.

Procura-se a morena
que deixou a flor e o poeta caídos
no frio piso da desilusão.

 Paulo Francisco






Bela Flor by Maria Gadu on Grooveshark

liberdade








Eles chegaram com uma esperança enorme
Assustei-me com aquele verde intenso
Pediram-me, aflitos, para guardá-la no vidro.
Sorri e lhes disse calmamente:
- Já não mato a esperança de ninguém
deixo-a seguir em frente
Todos me olharam assustados.
[Achavam-me um grandíssimo carrasco
- um malvado diplomado.]
Soltei-a na grama seca do velho pátio
e em segundos o bicho voou enfeitando o céu azul
com suas asas em forma de leque.
Voa esperança, segue o seu caminho.
- Quem sabe não é a esperança de um passarinho.



Paulo Francisco




Liberdade by Djavan on Grooveshark

fases






Aqui anda um tanto quanto
Sem sol 
Sem estrelas
Sem lua
- nem calor nem frio -
De quando em quando uma chuva fininha
enfeita as janelas   - principalmente as minhas - 
Até a verde montanha (vista de minha cama) foi coberta
por um véu denso leitoso há dias. 

Eu?

Também ando um tanto quanto
Há queimação sim
Há dor sim
São queimações emocionais
São dores de alma
São saudades de certas ausências
Uma vontade enorme de estar junto
Uma tristeza de não estar abraçado
Uma necessidade de gargalhar bebendo vinho
Tem horas suspiradas profundamente
Tem horas sussurradas lentamente
E tem horas silenciosamente perdidas

Eu ando assim: um tanto quanto
Às vezes louco de pedra
Às vezes um monge Tibetano

Talvez eu funcione de acordo com o dia
e como ele anda qualquer coisa
eu também ando assim:
sem saber qual será a próxima melodia
um barco à deriva a procura de uma ilha
um corpo deitado de olhos vivos

 Mas uma coisa é certa, Maria Teresa Monteiro,
não estou triste – Talvez pensativo

Reflexivo?
- Talvez

Intrínseco?
- Talvez

Introspectivo?
- Certamente.

Mas como o céu voltará a ser azul
a lua surgirá mais clara que nunca
o sol estará mais alaranjado que ontem
e o meu varal de cores mais colorido neste outono indeciso
então, Teresa, tudo isso não passa de fogo de palha
de um homem de lua.




Paulo Francisco






Alô Alô Marciano by Elis Regina on Grooveshark