Figura



Mulher
tão
urbana
tão
sacana
tão
bacana
tão
mulher
Tenho medo
receio
Não creio!
Ah, vou me apaixonar!
Desejo - lampejo
Me vejo
a
mergulhar
no
marrom da pele
no
marrom dos olhos
no
vermelho sangue
dos lábios
dessa mulher.


Paulo Francisco

Luz




Céu encoberto - chão forrado
Vento morno - sol guardado
Um dia sim – outro não
Tudo pode acontecer no mesmo dia
Sol e chuva -  calor e frio
Ao meio dia sol que brilha
A meia noite lua inteira
No céu, azul marinho
Nos seus olhos, violeta

Paulo Francisco

Poema






Chuva fininha - vento gelado
Céu cinzento -chão molhado
Tudo se ajeita conforme a paisagem
Fora a natureza chora -  dentro o corpo arde

Paulo Francisco

Prece




Quando a chuva bate no chão
assusta os mais medrosos
encanta os mais inocentes
desafia os mais corajosos
banha os mais contentes
Em algum lugar desse mundo
alguém estende as mãos
alguém ora a Deus
quando a chuva lava o chão.


Paulo Francisco

Esperança




Escrevo na tentativa de chegar além das montanhas
Que minhas palavras criem asas longas
e drapejem
e acariciem
e desnudem
e pintem novos sentidos
Escrevo na tentativa das palavras se transformarem
no meu grito
na jura
na cura de algo partido
Escrevo na tentativa de um dia ser ouvido.


Paulo Francisco

Sementes



Saltam da antiga estante de madeira
                lembranças de um guri franzino.
                               As palavras surgem do vazio da noite
                                               Germinam como sementes de flores
                                                               Colorem a alma e aromatizam a pele
                                                                               Oxigenam o peito e purificam os olhos
                                                                                              As palavras se transformam em castelos
                                                                                              montanhas, céus, mares, rios e florestas
                                                                              Atravessam as frestas do calabouço
                                                               Iluminam o mais terrível dos cárceres
                                               As palavras se juntam aos sentimentos
                               e escorrem na face mais dura do mundo
                As palavras criam imagens e paisagens
- enfeitam o caminho do poeta




Paulo Francisco

Retalhos




Saltam das páginas amareladas e puídas
garotos,
fazenda,
rio,
ilha,
Paisagem e aventura desejadas pelos olhos do menino
- memórias guardadas de seu primeiro livro lido
- memórias de um tempo de imaginação
de sonhos coloridos onde nada era impossível
Saltam da antiga estante de madeira
lembranças de um guri franzino.


Paulo Francisco

Cenário



O poeta registra numa noite fria e enluarada
suas pegadas fortes na margem branca do rio.
Descreve com traços fortes numa folha velha e escurecida
exposta sobre uma  antiga mesa de riga
todos os seus passos,  olhares e risos.
Deixa tingidos de azul
rastros compassados,
marcas ritmadas
- gotas de DNA
Vestígios de um instante alegre sem despedida
tidos como  testemunhas  o vento e o luar.


Paulo Francisco