Dois-pontos






Se estou triste, me recolho
Se estou feliz, me expando
Sou assim: igual a todos
- com altos e baixos
Reclamo do calor - Reclamo do frio
Acredito no beneficio da chuva
mas não gosto de me molhar
[mas as vezes danço com ela]
Protejo-me do sol, mas reverencio sua chegada
Sou lua/ Sou de lua
Já não aponto para as estrelas -  mas não deixo de contá-las
Não tenho medo do escuro. mas adoro uma luz acesa
Odeio política, mas vou as urnas a cada dois anos
Eu sou assim: Comum/igual
Amo/desamo - Ato/desato
Se estou contente, quero ver gente
Se estou soturno, não vejo o mundo
- apago a luz e espero tudo passar
Porque tudo passa... até mesmo a minha dor

Paulo Francisco

Túnel





Tarde fugidia levada pelo vento
sombra que se desmancha pela cor da noite
Sem as estrelas e sem a lua, a claridade seminua
veste-se de sonhos numa procura fugaz

 Paulo Francisco

(In) Love

















Toda beleza da cor

Toda magia em ser

Toda esperança que há

Toda certeza em ter

Pura beleza da cor

Pura magia em ser

Coração esperançado

Tudo encarnado

Tudo revelado

Num céu furta-cor.


Paulo Francisco





Beleza






Todo som
todo tom
todas as notas
todos os tons
um som - um tom
um tom - uma cor
todas as cores na vida
toda vida tem tom
toda vida tem cor.

Paulo Francisco


Solidão















Minhas mãos estão vazias
em meus dedos  não cabem anéis.
Minhas mãos estão vazias
nem a cigana morena da esquina
conseguiria ler as apagadas linhas.
Minhas mãos estão vazias
de cumprimentos, de acenos.
Minhas mãos estão vazias
- Cheias, somente de adeuses.


Paulo Francisco

Velho






Sentiu uma vontade louca de sair correndo
mas não pôde - Estava preso.
Preso a cordas invisíveis!
amarras com nós fortes e antigos.
Sentiu uma vontade enorme de gritar
mas não pôde – estava amordaçado!
mordaças aderentes e antigas.
Sentiu uma vontade enorme de não mais existir
mas não pôde – estava preso a um passado,
preso por laços afetivos e antigos.
Então, renunciou a si mesmo
E agora não sente vontade de nada
É pedra esculpida pelo vento
Sentado numa cadeira na varanda ele vê o tempo...
passando...
passando..
Passando o tempo.

Paulo Francisco

Insensato


Meu coração bebeu saudade de madrugadas amorosas e alegres
Meu coração soluçou lembranças,vontades desejadas de repetir
Meu coração tão sofredor, um dia, uma vida, te amou
Meu coração - uma vez - colou ao seu, selou amor,ficou bobo, te desejou
Meu coração que era gélido, melancólico, desvaneceu-se em tê-la
estuou-se em sabê-la e lacranou-se ao perdê-la
Meu coração que já fora um lidador,hoje devaneia acordado
- é um sonhador de ti.


Paulo Francisco

Estação


Resultado de imagem para sol nascente

Lá estava ele, sem saber quem era
parado, apontando para o alvo
sem saber se era dele ou se era dela
Lá estávamos olhando para algo
que não era ele que não era ela
Lá estávamos todos parados no tempo
olhando o alvo num só pensamento
e vazio fica depois da partida
aquele lugar onde esteve ela
Lá estava ele sem saber o que via
sem saber se ria.
parado num vai e vem invisível
Lá estava ele sem saber o que fazer
olhando sem vê a procura do nada
Lá estava ele perdido no tempo
olhando partir a mulher amada.

Paulo Francisco







Imaginário



Imagino-te louca
doida de pedra
Cinderela moderna
Meu imaginário
alcança seu corpo
afaga seu rosto
Imagino-te bela
esperta
levada da breca
namoradeira
sapeca
E sem afobação
vou levando
o coração retumbante
e a mente demente
de tanto desejar
Imaginário criado
forjado
pela loucura
em sã consciência
de dois amantes
a se doarem
a se amarem
até o dia raiar
E o sol que não
é meu amigo
me fez acordar.

Paulo Francisco



Em Francês

Que me venha alguém e me faça pássaro
que me tire os trapos e me vista de gente
Que me venha alguém e me traduza inteiro
transforme meu céu em seu canteiro
e que faça de mim sua canção
E na próxima estação
a relva, ainda, verde
seja o nosso travesseiro
em tardes quentes de outono
Que me venha alguém e me faça feliz
e diga sussurrante, em francês, uma canção de amor.


Paulo Francisco
Ouça-me