Quem sabe?
















Talvez eu fique mudo
guardando comigo
sentimentos e palavras.

Só assim, quem sabe,
você me ouve.

Talvez eu permaneça
parado
impassível

Só assim, quem sabe,
você me veja.

Às vezes é necessário sumir
ficar invisível
ir para uma ilha
desaparecer

nenhuma uma carta
nenhum bilhete

Só assim, quem sabe,
ganho você.



Paulo Francisco

Assim





Hoje eu acordei com vontade de chorar
Não sei por que o coração estava apertado
Eu não estava em mim
Não tinha fome
Não tinha vontade de sorrir

Hoje eu acordei assim
Um tanto tango
Um tanto bolero
Sentia uma vontade imensa de chorar
Não sei por que não reagia
O peito doía
Não queria pensar

Hoje acordei assim
Um pouco prosa
Um pouco poesia
Não tinha vontade de nada
Queria chorar
Doía o peito
Doía a alma
Não era um bom dia
Não sei por que acordei assim

Hoje eu acordei com vontade de chorar
E chorei.

Tudo bem!

Amanhã será um outro dia.
Quem sabe um tango ou um bolero
Um poema numa prosa
E eu acorde com uma vontade imensa de sorrir
Um tanto rock
Um tanto samba.

Quem sabe?




Paulo Francisco

Nostalgia


























Os nossos boleros antigos ecoam na sala quase morta.
Os ouço em tinto tingido, em taça e certezas vazias
Minha alma atingida dança silenciosa-mente
encolhida
          ferida
                num vai-e-vem lento
num sono-lento
                  num sonho quase sofrido

Ouço a última canção do disco
             - nela você está tão próxima
                                        em rodopios infinitos
               que sinto-te tão próxima de mim

[ a música termina e o silêncio retorna ]

Ah! Quero tudo de novo
não me importo/eu suporto
um novo adeus...

Paulo Francisco

Senhores dos mares






Mais de quatro centenas de espécies
Importantes controladores do mar
Eliminam os mais fracos e os doentes
Deixando equilibrada a cadeia alimentar

Senhores dos mares
Com vários nomes
Conhecidos são:
Azul, branco, preto
Raposa, tigre, touro
Tem limão e até salmão

Formato de martelo
A aspereza de uma lixa
Não deixemos de citar
Alguns da grande lista:
Cabeça-chata
Corre-costa
Pontas-negras
Pontas-brancas
Galha-preta
Da Groenlândia

Há quem não acredita
Na gastronomia, quem diria!
É uma iguaria
Apreciado nas mesas
De todos os dias

Na indústria cosmética
O seu óleo é empregado
Nos cremes de beleza
Para rosto delicado

Na indústria farmacêutica
Ele é encontrado
Para melhor terapêutica
Ele é indicado

Tubarão é o grande nome
Desse bicho importante
Conhecido pelo homem
Como aterrorizante


Paulo Francisco

A Girafa



Que esquisito!

Do cruzamento absurdo
De felino com ungulado
Surgiu o engraçado:
Camelo-leopardo

Coitados!

Cometeram um engano
Os antigos romanos
Nem camelo, nem leopardo
Aquele bicho africano

Tem longas pernas
Tem um grande coice
Quase mortal, nunca erra
E ai! Se assim não fosse

Grande velocista
Dana a disparar
Quando avista
Predador se aproximar

Esbelta
Tímida
Calada
É ela – a girafa

Que sorte!

Testemunha
De várias batalhas
Na África do sul
Na África do norte
A malhada sobreviveu
A todas as maldades


Paulo Francisco

Pinguim





Vai entender esse fato!
É terrestre, é aquático
Tem asa, mas não voa
e com elas nada numa boa
Bota ovos pra procriar
Cuida de sua cria
invertendo as tarefas
Come peixes, come krill
e quem sabe plâncton e lulas
Vive numa fria, nunca fica de ¨bode¨
Muita gente nunca viu
- está sempre nas geleiras
E ´por aqui, enfeita a geladeira.


Paulo Francisco

Etéreo



As nuvens caminham silenciosas no céu.
Eu as contemplo silenciosamente do chão.

Elas caminham lentamente pelo fundo azul
e eu também giro grudado ao verde chão.

Assopradas pelo vento se desmancham
em gotículas que caem  serenando a paisagem

refrescando
umedecendo
os meus olhos.

As nuvens caminham pelo céu
                              e eu voo aqui do chão.

Contrários, somos:
       Elas se desmancham em chuva
                                                  Eu me construo vivo.
                              
                               Elas caem derradeiras
                                                   Eu levito em sonhos.
                             
                               Elas renascem a cada dia
                                                    Eu envelheço simplesmente.




Paulo Francisco

Infância




Infância I


São de barro minhas lembranças
bolinhas, bonecos e monstros gigantes
São de vento minhas lembranças
pipa, balão e braços abertos
São de terra minhas lembranças
gude, pião e pés no chão
São de água minhas lembranças
pular na chuva, brincar no tanque.
São de artes minhas lembranças
criança levada e mais nada.







Infância II


Tira o sapato, menino!
Não ande descalço!
Lave as mãos antes do almoço
Não se atrase para o jantar
Sai de cima desse muro!
Cuidado ao atravessar
Coma tudo direitinho
Não repita a sobremesa
Abra a porta do banheiro
Feche a porta da geladeira
Não grite dentro de casa
Fale baixo na igreja!
São algumas frases lembradas
De uma infância passageira.

Infância III

Roupa nova
banho tomado
unhas limpas
cabelos cortados
camisa branca
limpinha!
calça curta
azulzinha!
tanta gente
em seu caminho
Sai daí pessoal!
é o primeiro dia
de uma vida nova
ele vai para escola
vai ser muito legal





Paulo Francisco

Morcego




Com dentes aguçados
de frutos e insetos se alimenta
Está sempre pendurado de cabeça para baixo
tornando mais fácil a sua decolagem
Medo não se deve ter desse mamífero alado
mas o melhor a fazer é não manipulá-lo
Um grande polinizador de flores
um importante semeador de sementes.
Lá na África ocidental, quem diria!
Os morcegos são sagrados.


Paulo Francisco

O Percevejo









Hum! Que cheiro!
O Maria-fedida chegou
É tão repugnante
que ninguém acreditou

Lá vai ele caçando
predando outros insetos
Ajudando o agricultor
num manejo correto

Não se iluda minha gente
tem aquele descontente
que a seiva é sugada
deixando a planta doente

Micetófagos ou algófagos
Tudo bem!
Fungos e algas
eles comem também

Vivem nas matas
em pleno equilíbrio
Mas escondidos
nas casas
Não acredito!
É um perigo!

Hematófagos são eles
de sangue sobrevivem
chupando nossos rostos
doenças nos transmitem

Descobridor do protozoário
instalado no percevejo
chamado de barbeiro
Carlos Chagas
-orgulho brasileiro.



Paulo Francisco

Lavadeira





Na água ele nasce
Por lá permanece
Predador aquático
Nada lhe acontece
Peixinho ou girino
Em sua boca acaba

Sai da água
Adulto se torna
Voa feliz
No lago contorna

Vai à procura de seu jantar
Moscas, mosquitos e outros insetos
Na água, na mata, ou no ar
possui mandíbulas para devorar

De vários nomes é chamado
o predador voraz:
Libélula
Libelinha
Lavadeira
Lava-bunda
Odonata
e outros mais

Mas pouco importa como o chamamos
Ele é importante em seu ecossistema
controlador de vários dípteros
-função de extrema importância-
tornando feliz o homem e quiça outros bichos.



Paulo Francisco

Beija-flor



Quando vejo um beija-flor
Visitando o meu jardim
Vai embora o mau humor
Que estava dentro de mim

Queria ser o beija-flor
Que Cheira o jasmim
Para sarar a dor
De quem está perto de mim.


Paulo Francisco